Editorial

A escamandro está no seu décimo ano de vida. O que nos faz repensar pra valer o que fizemos e também queremos fazer de agora em diante. Depois de várias conversas, consideramos uma mudança editorial no formato blogue da revista. O cenário hoje é radicalmente diferente daquele que havia no início do nosso projeto, em 2011, seja por aquilo a que nos propúnhamos, seja pelo florescimento de novas e múltiplas revistas no paradigma nacional. Por isso, decidimos optar por um novo modelo, com menos postagens, porém maior intervenção de cada um de nós cinco; e isso se dá porque sentimos que a demasia de publicações de nossa parte tem gerado também um cansaço, não só nosso, mas de quem lê e se interessa: o aumento de postagens não implica num aumento de leitores; na verdade, muitas vezes ocorre o oposto. O saturamento, portanto, não parece saudável a ninguém. Isso, no entanto, não quer dizer uma aposta no menos como retorno aos velhos nomes de sempre, ou a uma pirâmide de autores e obras. A questão é que, se a internet é a possibilidade da difusão contínua e quase-anárquica de tudo (mundo que nos fascina, de fato), talvez o desafio editorial seja mesmo agora tomar partidos, fazer apostas, cruzar ideias, com o intermeio de silêncios, esses tão fundamentais em meio à algaravia do mundo, que permitam o pensamento, a reflexão e o acolhimento do efeito das poemas e poéticas. Com isso, queremos cruzar nossas cinco vozes em projetos um pouco mais pessoais de leitura do presente e do passado, sem precisarmos dar conta da imensa demanda que temos continuamente por e-mail e mensagens (fica-se com a impressão de que a revista, como está em sua forma-blogue, corria o risco de se tornar mera vitrine, sem sua intenção inicial de potência interventora). A ideia então é, mantendo a liberdade e diferença de cada editor, investir mais no desafio da crítica, seja na tradução ou no ensaio, ou mesmo numa escolha de nomes contemporâneos que gostaríamos de comentar. Ao longo do ano corrente, apesar do horror, ainda colocaremos em curso o que há em agendamentos, embora já se possa sentir, aqui e ali, pequenas diferenças no enfrentamento das demandas colocadas. As linhas editoriais da revista vão, paulatinamente, encontrando as melhores maneiras de intervenção no cenário atual, como dito anteriormente, e, ao repensarmos a velocidade das águas, entraremos no próximo ano já com os riscos do porvir, leito de rio em movimento. Tenhamos todos melhor sorte.