Josep Domènech Ponsatí (1966—)

Josep Domènech Ponsatí nasceu em Sant Feliu de Guíxols (Catalunha: por enquanto ainda na Espanha), em 1966. Publicou 5 livros de poesia em catalão. (Cap a un dic sec, Desdiments, vencedor do prêmio Màrius Torres, Apropiacions degudes & Cia, finalista do prêmio Gabriel Ferrater, El Càcol, vencedor do prêmio Gabriel Ferrater, e Preqüela). Prestes a perder o cabaço no Brasil, a Kotter Editorial vai publicar seu primeiro livro escrito diretamente em português: Gambiarras. Quanto à tradução, Rubem Fonseca, Milton Hatoum, Armando Freitas Filho, Clarice Lispector, Bruno Zeni, Josué Guimarães, Ronald Polito, Cristovão Tezza, Maria Valéria Rezende, Campos de Carvalho, Lima Barreto, Marilene Felinto e Graciliano Ramos são uma boa dúzia de frade. Os poemas abaixo são inéditos.

* * *

sempre serei um estranja
por trás de tudo isso
qualquer caminho é rumo

§

fazer amor
só no mocó

e doses fartas
de besteirol

eis a receita

§

o grande amor
a paixão obsessiva
o tesão mais maluco

acabou num selinho

§

JOÃO URSO

saudade ou repeteco,
até normalizados:

no parapeito da janela,
uma bundinha arrebitada.

ela deixa eu meter.
eu me deixo ficar.

e choro rindo feito joão urso.

§

BROSSA EM SEIS PALAVRAS

pão sim.
sobre restos de pano.

§

poema pronto fede

§

carne remosa
dá espinhas na gente
depilação na linha
putanhando
jesuisi!
lá vem com a mariola dele
uma galizezinha branca
eu gorando coisa ruim
boba alegre
feliz que nem pinto no lixo
é o crois mesmo
tá com TPM?
ridica!
na moleira
depois que cê levanta
acabou já era
você gosta da rapinha?
dá um tempo na minha cabeça!
enche a minha cabeça de caraminholas
a gente faz os pompons
pros outros brincarem
para de dar chiliques
sou quem mais invoca com isso
baixa a bola
chá de favacão
a folha é aspenta
você vai pegar friagem
estou muito aziado com você
a relação era só de ficar
pandelo é pão de ló?
é a coisa mais melhor que eu já comi na vida
que nome estúrdio que eles colocam nas coisas!
caldo de cana com limão
tira esse vestido que vai te deixar com suvaqueira
o tio vânio virou um trem
que todo tanto é pouco
é do tamaizão que eu gosto
você cansa a minha beleza
dá uma bisoiada aí
e fala igual à gente
que todo tanto é pouco
e eu só sei que não
né, mãe? né, mãe? né, mãe?

sou muitas vozes
poema é mutirão