Eduardo das Neves (1874-1919)

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É certo que a literatura brasileira não tenha muitos exemplos de obras produzidas por aqueles que sempre se encontraram às margens da sociedade, se pensarmos a partir de uma historiografia convencional das poéticas. Raros são os casos como os de Maria Carolina de Jesus ou Lima Barreto. Em geral, nossa produção esteve sempre centrada nas mãos dos homens, mas de homens bacharéis, padres e acadêmicos. Ou seja, nossa literatura ligou-se, e continuar a ligar-se, à voz do dono, do mandatário, portanto.

No entanto, na forma mais difundida da poesia, isto é, na canção popular, o jogo parece se inverter. Nesse estilo democrático de fazer versos, portanto, as vozes mais periféricas sempre tiveram força para ocupar o centro do palco. Um exemplo disso é a figura de João do Vale, que publiquei aqui há certo tempo. Outro nome certo seria o de Cartola. Além de vários que não caberiam citar aqui a fim apenas de compor uma lista exaustiva. O samba, o choro e as formas mais populares da canção em geral sempre estiveram ligadas a essas figuras.

Eduardo das Neves, carioca, conhecido também como Dudu das Neves, Palhaço Negro ou Trovador da malandragem, foi palhaço, poeta, cantor, compositor e violonista. No começo do século XX, era um dos mais importantes compositores do Brasil. Sua poesia refletia através da oralidade própria à canção temas caros à questão negra, como a diáspora africana, a negação de uma ancestralidade que lhe era devida e além da própria boemia da qual era assíduo frequentador.

Das Neves teve três filhos, Iracema, Araci e o grande Cândido das Neves, de quem tratarei em breve em outro post.

Sem mais delongas, vamos às canções de Eduardo das Neves.

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