Sessão Vagalume|Stefano Modeo, por Prisca Agustoni

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Stefano Modeo (Taranto, 1990) vive e trabalha em Ferrara. La terra del rimorso (ItalicPequod, 2018) é seu livro de estreia. Publicou poemas dessa mesma coletânea nas principais revistas literárias italianas. Integra a antologia Abitare la parola – poeti nati negli anni ’90 (Ladolfi Editore, 2019). Integra a redação da revista de poesia Atelier e colabora com o blog de literatura Nazione indiana.

Os poemas aqui traduzidos foram extraídos da coletânea La terra del rimorso.

* * *

IV.

La piazza semivuota del tuo cuore.
Hai percorso la piazza.
Hai smesso di guardare il passo tuo nella piazza:
tra la gente cercavi la tua gente.
Scarpe e volti nella piazza mattutina.
Le parole sono tante le idee sono poche.
Sei tornato a casa e hai scritto una poesia:
la leggeremo in piazza, risuonerà alta:
nella piazza semivuota del tuo cuore.

IV.

A praça semideserta do teu coração.
Você percorreu a praça.
Parou de olhar teu passo na praça:
entre as pessoas você procurava tuas pessoas.
Sapatos e rostos na praça matutina.
As palavras são tantas as ideias são poucas.
Voltou pra casa e escreveu um poema:
o leremos na praça, soará alto:
na praça semideserta do teu coração.

§

V.

Nella pancia della balena gorgoglia la mattanza
siamo tanti stipati come legni nella stiva
la balena ogni tanto soffia in alto il mare e
qualcuno. Siamo tanti niente mescolati di lutto e di
nessuno porta avanti Capitano la mia sorte, porta
avanti.
Brucia, il mare, la tua pelle senza acqua – è buio –
sbatte la balena, uno schiaffo nell’impatto – mi sveglio –
rallenta rallenta anche il calore del motore – è finita –
la morte, i bianchi sono venuti a prenderci – Dio mio

V.

Na barriga da baleia borbulha a matança
somos muitos enfiados como lenha no porão
às vezes a baleia sopra para o alto o mar e
alguém. Somos muitos nada misturados de luto e de
ninguém leva em frente Capitão minha sorte, leva
em frente.
Queima, o mar, tua pele sem água – está escuro –
choca a baleia, um estalo no impacto – eu acordo –
reduz reduz até o calor do motor – acabou –
a morte, os brancos vieram nos pegar – meu Deus

§

IX

nel terrore delle sere le città militarizzate sembrano cespugli
se per di qui te ne vai, passante, non capisci qual è il gioco
eppure la paura ti abbraccia le caviglie e incespicando sbrighi
il tuo passo per il quais.
Batte
botte
questo cuore sorvegliato.
Quest’impero è una vetrina lungo i viali solitari,
ecco solo i militari.
Lampeggiando una sirena sale, un elicottero guarda indifferente
e silenziosamente una sigaretta fuma lenta alle finestre rabbuiate.
Splende un occhio
incandescente
sul tuo viso preoccupato.
Ovunque corrono i pensieri, ovunque le notizie in tempo reale
avanzi il passo verso casa, tutto il mondo è virtuale, la paura sale

IX

no terror das noites as cidades militarizadas parecem matagais
se você for por aqui, passante, não vai entender qual é o jogo
mas o medo te abraça nos tornozelos e tropeçando você apressa
o passo ao longo da calçada.
Bate
barril
este coração vigiado.
Este império é uma vitrine ao longo das avenidas solitárias,
eis apenas os militares.
Uma sirene sobe piscando, um helicóptero olha indiferente
e silenciosamente um cigarro fuma lento às janelas escuras.
Brilha um olho
incandescente
em teu rosto preocupado.
Correm por todo lado os pensamentos, como as notícias em tempo real
você alonga o passo rumo à casa, o mundo todo é virtual, o medo sobe